domingo, 31 de julho de 2011

Ensinamentos de Jiddu Krishnamurti



Os ensinamentos são importantes por si mesmos e intérpretes
ou comentadores apenas os distorcem, sendo aconselhável ir
diretamente à fonte, os próprios ensinamentos, e não se valer de
nenhuma autoridade.

O homem que vive alegre, verdadeiramente feliz, está livre de
todo esforço. Viver sem esforço não significa se tornar estagnado,
embotado, estúpido; ao contrário, só os homens sensatos,
altamente inteligentes, estão verdadeiramente livres do esforço e
da luta.

O importante não é o objeto da luta, porém, sim, compreender a
própria luta.

Poderemos ir longe, se começarmos de muito perto. Em geral
começamos pelo mais distante, o 'supremo princípio', 'o maior
ideal', e ficamos perdidos em algum sonho vago do pensamento
imaginativo. Mas quando partimos de muito perto, do mais perto,
que é nós, então o mundo inteiro está aberto – pois nós somos o
mundo. Temos de começar pelo que é real, pelo que está a
acontecer agora, e o agora é sem tempo. (Grifos meus).

Aprender não é um mero processo de acumular conhecimentos,
porém de descobrimento de extraordinárias riquezas existentes
além do alcance da mente.

Se observardes vossa mente, com serenidade e sem dardes
explicações, se deixardes simplesmente que vossa mente esteja
cônscia de sua própria luta, vereis que muito depressa surgirá um
estado no qual nenhuma luta haverá, um estado de extraordinária
vigilância. Nessa vigilância, não há idéia de 'superior' e 'inferior',
não há homem importante nem homem insignificante, não há guru.

Todos esses absurdos desapareceram, por que a mente está
inteiramente desperta. E a mente de todo desperta está cheia de
alegria.

Descontentamento é a luta pela consecução de mais, e o
contentamento é a cessação dessa luta; mas, não se chega ao
contentamento, se não se compreende todo o 'processo' relativo ao
mais, e por que razão a mente o exige.

Estamos lutando por alguma coisa e nunca nos detivemos para
investigar se essa coisa é digna de lutarmos por ela. Nunca
perguntamos a nós mesmos se ela merece nossos esforços... Só
quando tivermos compreendido inteiramente o significado do mais
é que deixaremos de pensar em termos de fracasso e de êxito.

Aqueles que realmente desejam compreender, que estão
buscando o eterno – sem início nem fim – caminharão juntos com
maior intensidade e serão uma ameaça para tudo que não é
essencial, para as irrealidades, para as sombras.

Meditação é libertar a mente de toda desonestidade. O
pensamento gera desonestidade. O pensamento, no seu esforço
para ser honesto, é comparativo e, portanto, desonesto. Meditação
é o movimento dessa honestidade no Silêncio.

Tudo o que importa ao homem inteligente é perceber os fatos e
compreender o problema – e isso não significa pensar em termos
de êxito ou de fracasso. Só quando não amamos o que fazemos
pensamos nesses termos.

Esperamos sempre que alguém nos diga o que é conduta justa
ou injusta, pensamento correto ou incorreto, e, pela observância
desse padrão, nossa conduta e nosso pensar se tornam mecânicos e
nossas reações automáticas.

Consoante a história teológica, garantem-nos os guias
religiosos que, se observarmos determinados rituais, recitarmos
certas preces e versos sagrados, obedecermos a alguns padrões,
refrearmos nossos desejos, controlarmos nossos pensamentos,
sublimarmos nossas paixões e se nos abstivermos dos prazeres
sexuais, então, após torturar suficientemente o corpo e o espírito,
encontraremos uma certa coisa além desta vida desprezível. É isso
o que têm feito, no decurso das idades, milhões de indivíduos ditos
religiosos, quer pelo isolamento nos desertos, nas montanhas,
numa caverna, quer peregrinando de aldeia em aldeia a esmolar,
quer em grupos, ingressando em mosteiros e forçando a mente a
ajustar-se a padrões estabelecidos. Mas, a mente que foi torturada,
subjugada, a mente que deseja fugir a toda agitação, que renunciou
ao mundo exterior e se tornou embotada pela disciplina e o
ajustamento – essa mente, por mais longamente que busque, o que
achar será em conformidade com sua própria deformação.

A causa primária da desordem existente em nós é estarmos
buscando a realidade prometida por outrem.

Estou apenas a ser como um espelho da vossa vida, no qual
podeis ver-vos como sois. Depois, podeis deitar fora o espelho; o
espelho não é importante.

A compreensão de si próprio é o começo da sabedoria.

Qualquer espécie de filosofia e qualquer espécie de teologia
representam, meramente, uma fuga à realidade do que é.

Não podeis depender de ninguém. Não há guia, não há
instrutor, não há autoridade. Só existe vós, vossas relações com
outros e com o mundo, e nada mais.

Normalmente, gostamos de culpar os outros, o que é uma
forma de autocompaixão.

O intelecto não constitui o campo total da existência. Ele é um
fragmento, e todo fragmento, por mais engenhosamente ajustado,
por mais antigo e tradicional que seja, continua a ser uma parte
insignificante da existência, e nós temos de nos interessar pela
totalidade da vida. Quando consideramos o que está ocorrendo no
mundo, começamos a compreender que não há processo exterior
nem processo interior; há só um processo unitário, um movimento
integral, total, sendo que o movimento interior se expressa
exteriormente, e o movimento exterior, por sua vez, reage ao
interior.
( Jiddu Krishnamurti)

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