segunda-feira, 18 de julho de 2011

A paz em cada um


Conceição Cavalcanti


“A educação para a paz implica na educação do educador”. Esse pensamento fundamenta uma das muitas teorias do psicólogo francês Pierre Weil fundador da Universidade Internacional da Paz ( UNIPAZ ), que dedicou toda uma vida em prol de uma sociedade com menos conflitos.
Infelizmente, no último dia 10 de outubro, esse mundo em busca da fraternidade perdeu um de seus grandes ativistas, que deixou um vazio só preenchido pelos seus ensinamentos e pela vontade de continuar sua grande obra.
Em um de seus comentários, Weil afirmava que “a violência impera no mundo, seja nos países ricos ou pobres e que antes de tudo é preciso acontecer uma transformação no processo educacional”. Para ele não adianta “ensinar” a paz por meio de frases bonitas e de argumentos intelectuais. “É necessário atingir o caráter, as emoções, os sentimentos. E isto é uma questão de educação, muito mais que de ensino e instrução”.
Repensar a forma que fazemos a educação, os modelos cristalizados ainda usados é nosso dever. Temos uma educação que enfatiza o corpo e o intelecto. Trabalhar as emoções, os sentimentos no ambiente escolar se faz vital para a formação de um cidadão. Experimentar, vivenciar e sentir o que é viver em paz consigo mesmo, com os outros e com o ambiente exige tempo e aprofundamento. Exige silêncio. Quantas escolas ensinam a importância de silenciar para se ouvir?
Sentimentos como raiva, ciúme, inveja, cobiça e outros geradores de violência devem ser parte do currículo para que todos possam conhecer seus aspectos destrutivos e com isso buscar restabelecer uma conexão entre mente, espírito e vida emocional. Pierre Weil se dizia cidadão do mundo, sonhava com uma Universidade, uma Instituição, que estivesse a serviço da paz e da educação, o sonho que se realizou.
Autor de muitos livros dedicou seus conhecimentos à criação de programas, seminários e modelos educacionais. Entre as muitas publicações, escreveu “ A Arte de Viver em Paz” fruto de um seminário de mesmo nome, onde se compartilham reflexões e vivências sobre a paz consigo mesmo e com o mundo ao redor. Sua proposta é transformar violência em amor.
Diante de tantas tragédias como o caso recente de Eloá seqüestrada e morta pelo ex namorado e frente à declaração de um pai que diz: “a polícia devia ter atirado no meu filho” fica a pergunta: onde encontrar essa paz ? Como ensiná-la? Como vivê-la?
Nesses tempos de guerra, conflitos e desencontros, de escolas alvejadas, professores seqüestrados, alunos armados e gestores paralisados, conhecer a história do Beija-flor que Weil narrava em suas palestras, traz alento e esperança. Entender que o ponto de partida é buscar a harmonia interior, fazer brotar e articular o equilíbrio entre mente, corpo e emoções já é um início para uma mudança que se faz urgente.
Cada um fazendo a sua parte, semeando, educando a si e ao outro, sendo colo que acolhe como declama Cora Coralina é o caminho para sermos uma humanidade feita de gente de verdade.
Quer saber mais sobre uma cultura de paz na educação? Conheça a UNIPAZ, fone (81) 3244-2742
Conceição Cavalcanti é a coordenadora do Programa Leitor do Futuro, do Diário de Pernambuco (PE)

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